28 de abr. de 2012

Produto Perecível Laico

Como parte das comemorações do Dia Internacional da Dança, instituído no dia 29 de abril tanto em homenagem ao professor de ballet francês do séc. XVIII Jean-Georges Noverre quanto à bailarina brasileira Marika Gidali, fundadora do Ballet Stagium, (São Paulo, 1971), o Teatro Municipal de Araraquara recebe o espetáculo de dança contemporânea "Produto Perecível Laico", neste sábado, 28 de abril, às 20:30h, apresentado pela Cia. Borelli de Dança. Os convites são gratuitos e podem ser retirados a partir das 13:00h na bilheteria do teatro.

"Produto Perecível Laico" encena a poesia do catarinense Cruz e Souza, mestre e precursor da escola Simbolista brasileira do final do séc. XIX, também chamado de Dante negro. Entre outros temas, sua poesia trata especialmente da finitude, da angústia da perda e da solidão. Marcada desesperadamente pela musicalidade, pelo individualismo, pela sensualidade, a poesia de Cruz e Souza, obcecado pela cor branca, só teve o devido reconhecimento da crítica e do público muitos anos após a morte do poeta.

O espetáculo não propõe-se a apresentar personagens, apenas sentimentos, signos e a dor, expressos pelos bailarinos. O ambiente cênico sugere a sensação de um grito sufocado, doloroso e amargurado, como a poesia de Cruz e Sousa.

O espetáculo tem direção, concepção e cenografia de Sandro Borelli e apresenta os intérpretes Alex Merino, Danilo Firmo, Mauricio Brugnolo, Maira Barbosa e Mariana Gomes. A Cia. Borelli de Dança, independente, desenvolve pesquisas e criações desde 1997, tendo 19 peças coreográficas em seu repertório. O desejo de questionar a existência humana, suas contradições e incertezas, nutre o trabalho da companhia, que busca elementos entre a violência, o prazer, a leveza e a dor em suas composições.

A Cia. Borelli de Dança foi laureada nos seguintes festivais:

  • Festival Internacional de Dança Contemporânea "Mesa Verde" em Porto Alegre (2009)
  • Festival Internacional de Teatro em Belém do Pará (2008)
  • Festival Internacional de Londrina (2004)
  • Porto Alegre em Cena (2001)
  • Festival de Teatro de Curitiba (1999)


Produto Perecível Laico - Cia. Borelli de Dança
28/04/2012 às 20:30h
Teatro Municipal de Araraquara
Av. Bento de Abreu s/nº - Fonte Luminosa
Entrada gratuita
Ingressos na bilheteria do teatro a partir das 13h



João da Cruz e Sousa

"Entre todos, distingue-se este filho de escravos, João da Cruz e Sousa, o Dante negro, nascido em 24 de novembro do ano de 1861, em Florianópolis, morrendo vítima de tuberculose, na mesma cidade, em 23 de março de 1898. Escreveu uma das obras poéticas mais altas e preciosas da literatura brasileira, apesar dos infortúnios (parteira do gênio), a morte de dois filhos e o enlouquecimento de sua mulher, Gavita. Conseguiu ultrapassar, pela obstinação, estudo e talento, a diferença de cor que lhe pesava e todos os obstáculos, sem dever nada a um Mallarmé ou Baudelaire, provando que o vento sopra onde quer."
Carlos Nejar, História da Literatura Brasileira,
publicado pela Editora Leya, em parceria com a 
Fundação Biblioteca Nacional, em 2011

Vida Obscura
Cruz e Sousa

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
E embriagado, tonto de prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que a cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!


Na luz!
Cruz e Sousa

De soluço em soluço a alma gravita,
De soluço em soluço a alma estremece,
Anseia, sonha, se recorda, esquece
E no centro da Luz dorme contrita.

Dorme na paz sacramental, bendita,
Onde tudo mais puro resplandece,
Onde a Imortalidade refloresce
Em tudo, e tudo em cânticos palpita.

Sereia celestial entre as sereias,
Ela só quer despedaçar cadeias,
De soluço em soluço, a alma nervosa.

Ela só quer despedaçar algemas
E respirar nas Amplidões supremas,
Respirar, respirar em luz radiosa.

Obras de Cruz e Sousa:

Publicadas em vida

  • Tropos e Fantasias (1885, prosa poética)
  • Broquéis (1893, poesia)
  • Missal (1893, prosa poética)

Publicadas postumamente

  • Evocações (1898, prosa poética)
  • Faróis (1900, poesia)
  • Últimos sonetos (1905, poesia)
  • Outras evocações (1961, prosa poética)
  • O livro derradeiro (1961, poesia)
  • Dispersos (1961, prosa poética)


Saiba um pouco mais sobre Cruz e Souza clicando aqui.
Leia mais algumas obras de Cruz e Sousa clicando aqui.

26 de abr. de 2012

Semana de Arte Moderna: antes, durante & depois

Catálogo da Exposição
A Oficina Cultural Lélia Abramo, espaço da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, vai realizar, ao longo de nove sextas-feiras, a partir de 27 de abril até 22 de junho, o Ciclo de Estudos 90 anos da Semana de Arte Moderna: antes, durante e depois, coordenado pelo Prof. Dr. Paulo César Andrade da Silva. As atividades serão ministradas no período noturno, das 19h às 22h.

Pra quem ainda não conhece a Oficina Cultural Lélia Abramo, acesse o site.

Alguns modernistas
O Ciclo de Estudos vai oferecer uma visão panorâmica das principais obras do Modernismo brasileiro, por meio de várias manifestações artísticas (Literatura, Música, Pintura, Escultura). Serão também abordados o ambiente artístico europeu do início do séc. XX, a política e o meio literário brasileiro entre 1900 e 1930 e as ideias artísticas em voga no limiar da "revolução modernista".

Em 2012 foram celebrados os noventa anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Esperamos que isso nos inspire bastante para vivermos e principalmente escrevermos sobre o presente, deixando de cultivar a nostalgia insalubre que atravanca a expressão literária brasileira desde a segunda metade do século passado. Afinal, foi mais ou menos essa a proposta da "revolução modernista" a seu tempo, não é mesmo? Às vezes parece até que a "revolução modernista" se restringe àquela semana, e que depois ela acabou, se esgotou, dissipou. Se realmente admiramos, respeitamos e reverenciamos a Obra da "revolução modernista", não devemos transformá-la num dos principais inimigos que ela própria combateu: a mesmice conformada e passiva. Ainda bem que esse Ciclo de Estudos não vai ser nada disso.

O professor Paulo César Andrade da Silva é doutor em Estudos Literários pela Unesp/Araraquara.

Mário de Andrade em posição de lótus
A tempo: o Ciclo de Estudos terá duração de 24 horas (distribuídas ao longo dos encontros semanais, é claro!), será emitido um certificado de participação e o mais interessante: é um evento total e absolutamente gratuito. E tem mais: estão sendo oferecidas apenas 25 vagas, então corra e garanta logo a sua! 

Tenho a impressão que é possível inscrever-se por e-mail (leliaabramo@oficinasculturais.org.br), mas não é certeza.




90 anos da Semana de Arte Moderna: antes, durante e depois
Coordenação: Prof. Dr. Paulo César Andrade da Silva
de 27 de abril a 22 de junho - todas as sextas-feiras - das 19h às 22h
inscrições abertas até 27 de abril
25 vagas


R. Andrelino Alves Pinto 170
(16) 3324-3946 / (16) 3324-8783
leliaabramo@oficinasculturais.org.br



Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti
& Eugênia Álvaro Moreyra em primeiro plano