18 de jul de 2012

Mergulho noturno




         Após algumas horas de viagem e alguns vultos de filmes, finalmente chegamos a Paraty. A viagem foi tranquila, eu acho; é difícil afirmar com certeza, com 50mg de Dramin no organismo. Afirmo apenas que o trajeto foi por via terrestre, pois me lembro de ter tomado um pingado em algum posto na beira da estrada. Eu acho.

            Chegando à pousada, bem cedo, tratamos de desfazer logo nossas malas e tomamos um rápido café matinal, pois teríamos que chegar às oito da manhã na Flip. Creio que algum de nossos colegas fazia parte da organização, ou algo do tipo. Ou era isso ou alguém tinha comprado ingressos para a primeira mesa. Não, não. Creio que havia organizadores na nossa trupe mesmo. Fiquei com medo de chegar tão cedo e dar de cara com o Zé Celso ainda vestido. Seria constrangedor. Mas o fato não ocorreu. Por que viemos tão cedo? 

 O ilustre Drummond era o homenageado da 10ª Flip. Com certeza ele tinha escrito havia uma pedra no meio do caminho em Paraty. Após 15 horas batendo perna em suas ruas históricas, todos ansiavam pelo asfalto nada histórico. Agora tudo fez sentido – este trecho evidencia: nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra. Uma não, várias, né Cacá? Meus pés ainda doem também. Estamos juntos, Drummond.

           Bem, já era tarde da noite quando algo me dizia que deveríamos ir embora. Juro que não relevei o fato de a maré ter subido e a água estar batendo em nossos joelhos. Não sei se era a fome ou a dor de cabeça, mas estava tão passado que sonhei que alguém dizia que estávamos esperando alguém fazer um desenho no livro de alguém. Que doideira. Que desenho? Que livro? Que Flip? Eu quero ir embora.




           Depois de uma eternidade e mais 15 minutinhos, enquanto boa parte do grupo repousava suas costas cansadas na van, nosso colega voltou com autógrafos de Angeli e Laerte. Àquela altura o único de Los três amigos que eu queria ver era o Glauco, nosso motorista. Confesso que minhas mãos coçaram ao ver meu colega caminhando distraidamente à beira do canal enquanto checava a dedicatória conferida a ele. Eu poderia dizer:

 – Ei, olhe lá, naquela gôndola! Com uma sombrinha escarlate e um vestido púrpura… não é o Laerte? – e de repente… tchibum! – Mas que horas você escolheu pra nadar, hein? Alguém te empurrou? Não, eu não vi ninguém. Como a cor dos seus lábios mudou de repente. Eu imagino que deva estar frio mesmo. Para. Não, não é de você; só estou rindo à toa…


Wellington Augusto Marcolino

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