27 de abr de 2014

Flipoços 2014

Ferreira Gullar - patrono do Flipoços 2014
Pela segunda vez a Produção Literária visitou o Festival Literário de Poços de Caldas (MG) - Flipoços: evento considerado o maior do gênero em nosso estado vizinho. Os estandes da IX Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas, que ocorre concomitantemente ao festival, instalados no Espaço Cultural da Urca, impressionaram, por um lado, pela quantidade em um espaço aparentemente pequeno para um evento de tamanho porte. Mas, por outro lado, talvez pela grande quantidade de público que o festival atraiu em sua abertura, chamou também a atenção dos membros de nossa expedição a pouca atenção dispensada pelos expositores aos visitantes. Curioso também é que não encontramos nenhum expositor que aceitasse o Vale Cultura. Ficam aí duas dicas para o ano que vem: maior atenção aos visitantes (para que eles retornem) e cadastramento no Vale Cultura - todo mundo vai sair ganhando. Pontos positivos foram também as rampas de acesso em toda a área, garantindo acessibilidade para cadeirantes, e a equipe de apoio que, ao contrário dos expositores, foi bastante atenciosa para com os visitantes. O almoço, nas próprias instalações do evento, foi muito bem servido e a equipe toda está de parabéns.


Luiz Ruffato e Antonio Geraldo Figueiredo
Após a refeição, os membros da expedição aproveitaram o início da tarde para explorar as atrações da cidade: passeios de charrete, visitas ao Grande Hotel, ao Palace Cassino, e ao Museu Histórico, uma esticada até o Mercado Municipal e à Fonte dos Amores, foram apenas algumas das atividades paralelas ao festival das quais nosso pessoal desfrutou. À tarde, integrando a Mostra de Cinema do Flipoços, assistimos ao documentário José e Pilar: retrato do escritor José Saramago e de sua esposa Pilar del Rio, focando particularmente os bastidores da composição de seu livro A viagem do elefante (2008). O documentário foi dirigido por Miguel Gonçalves Mendes, que compareceu para um bate-papo com o público logo após a exibição. Em seguida, continuando com o programa do dia, tivemos na Arena Cultural uma conversa com os escritores Luiz Ruffato e Antônio Geraldo Figueiredo, que falaram bastante sobre processo criativo. Luiz Ruffato, respondendo à plateia, disse que "para ser bom escritor, tem que ser bom leitor". Complementando também a proposta prática de José Saramago mostrada no documentário assistido, de escrever pelo menos duas páginas por dia, Antônio Geraldo Figueiredo citou Gabriel García Márquez, cuja receita para escrever era "escrever todos os dias, para não perder a mão". Paralelamente à conversa, a jornalista e escritora Eliane Brum lançava seu novo livro Meus desacontecimentos, no espaço Hora da Prosa


Encerrando a programação do dia, Ferreira Gullar, patrono do Flipoços, palestrou na abertura oficial do festival a respeito do cinquentenário do Golpe Militar de 1964. O poeta, que impressionou pela sua grande lucidez e consciência política a respeito de acontecimentos contemporâneos, palestrou - talvez muito mais lúcida e conscientemente que muita gente contemporânea - a respeito de seu engajamento e sua atuação no espetáculo Opinião (1964), junto a Oduvaldo Vianna Filho. Gullar ressaltou a dificuldade de se fazer Arte politizada, porque "antes de a Arte ser politizada, ela precisa ser Arte". Ferreira Gullar respondeu perguntas do público e autografou seus livros. No fim da noite, seguindo a tradição, encerramos a expedição numa bela pizzaria. "O que mais me impressionou foi o prédio do Cassino," disse nossa colega Morgana Becker, "que está muito bem cuidado - e a arquitetura impressiona!" Em relação às refeições, ela comentou que "O almoço estava muito bom e a pizza valeu muito a pena: ambas as ocasiões foram importantes para o entrosamento do grupo.". "Encontrei o livro que eu queria," disse Weckson Santana, "só que o preço dele era o mesmo fora da feira: o livro do Marcelo Yuka [e Bruno Levinson] Não se preocupe comigo. O que me surpreendeu foi a quantidade de HQ's e mangás: achei que não ia ter nenhum!" Quanto à cidade, prosseguiu Weckson: "achei ela ótima: movimentada e acolhedora."






20 de mar de 2014

Retrospectiva

Assista ao vídeo Retrospectiva da Produção Literária, apresentado na aula inaugural de 2014 (2ª 10/03):






Obrigado a todos que fizeram parte desta história!





12 de mar de 2014

Aula 02. Palavra-puxa-palavra

Continuando aqui a aula 02.: penetra surdamente no reino das palavras…, dizia Carlos Drummond de Andrade; …palavra puxa palavra, uma ideia traz outra…, Machado de Assis; vejamos então o que Luís Fernando Veríssimo tem para contribuir com aquela nossa discussão:


Defenestração
Luís Fernando Veríssimo 
O analista de Bagé (1981)

Novaes
Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria.

– Os hermeneutas estão chegando!

– lh, agora é que ninguém vai entender mais nada…

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

– Alô…

– O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

– Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água. Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração. A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussufrar no ouvido das mulheres:

– Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas… Ah, algumas defenestravam. Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais. Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? “Nestes termos, pede defenestração…” Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:

– Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. “Defenestração” vem do francês defenestration. Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.

Les defenestrations. Devem ser proibidas.

– Sim; monsieur le Ministre.

– São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.

– Sim, monsieur le Ministre.

– Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: “Interdit de defenestrer”. Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.

Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.

– É esta estranha vontade de atirar alguém ou algo pela janela, doutor…

– Hmm. O impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar – diz o analista, afastando-se da janela.

Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.

Na lua-de-mel, numa suite matrimonial no 17º andar.

– Querida…

– Mmmm?

– Há uma coisa que eu preciso lhe dizer…

– Fala, amor.

– Sou um defenestrador.

E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:

– Estou pronta para experimentar tudo com você. Tudo! Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbucia:

– Fui defenestrado…

Alguém comenta:

– Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!


Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.









E para quem gostou do quadro da demonstração da proposta de exercício, aí vai:

Vincent van Gogh, Quarto em Arles - 3ª versão (1889)



Tanto a crônica quanto as imagens foram extraídas da internet.

2 de fev de 2014

Produção Literária 2014: inscrições abertas!



A partir da próxima terça-feira, 04 de fevereiro de 2014, estarão abertas na secretaria da Casa da Cultura "Luiz Antônio Martinez Corrêa" as inscrições para o Curso de Produção Literária 2014, que entra em seu quarto ano de atividades.

Você que deseja escrever contos, crônicas, poemas, roteiros ou até mesmo novelas e romances; que deseja conhecer as técnicas de composição literária utilizadas pelos mais conceituados escritores da atualidade; que deseja exercitar sua criatividade, concorrer a prêmios literários e publicar seus trabalhos, não perca mais tempo: as vagas são limitadas!

Os requisitos são somente dois: ser alfabetizado em Língua Portuguesa e ter a idade mínima de 16 anos (sem limite máximo).

A Produção Literária é um Curso oferecido pelo Núcleo de Formação da Casa da Cultura "Luiz Antônio Martinez Corrêa", da Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara (SP), voltado para quem deseja aprender as técnicas e os métodos de composição de textos literários. Pelo quarto ano consecutivo, o Curso pretende introduzir métodos de criação textual e técnicas utilizadas pelos grandes escritores da atualidade.

No primeiro ano, a Produção Literária focou especialmente a prática de composição de textos. Em 2012, atendendo a pedidos de alunos e de interessados, a parte de teoria literária foi melhor explorada. Seguindo sugestões de amigos, de estudantes e do público em geral, a Produção Literária trabalhou em 2013 também a leitura e a interpretação de textos da Literatura Brasileira. Neste ano de 2014 a novidade é que a carga horária passou de três para quatro horas semanais (duas aulas com duas horas de duração): uma antiga demanda dos alunos.

As aulas serão ministradas às segundas e quartas-feiras das 19h às 21h, tendo início logo depois do Carnaval, no dia 10 de março de 2014, com previsão de encerramento dos trabalhos ao final de novembro. Estão programadas diversas atividades para este ano, como a visita à Flipoços 2014, à 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, à 12ª FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty e à 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, entre outros. Todas as atividades serão postadas e comentadas neste blog, assim como textos produzidos pelos alunos e outras matérias de interesse.

Para mais informações, procure a secretaria da Casa da Cultura "Luiz Antônio Martinez Corrêa", deixe um comentário aqui mesmo no blog ou envie-nos um e-mail: prodlit@hotmail.com.

Não perca mais tempo: inscreva-se já!


Casa da Cultura 

"Luiz Antônio Martinez Corrêa"
Rua São Bento 909, Centro
Araraquara (SP)
(16) 3333-1159

Horário das aulas:

2ª feira, das 19:00h às 21:00h - Teoria e Interpretação
4ª feira, das 19:00h às 21:00h - Oficina Criativa (prática)

Mensalidade: R$ 70,00 (+R$ 5,00 de taxa de material)

A Casa da Cultura "Luiz Antônio Martinez Corrêa" oferece bolsas integrais aos alunos que comprovarem dificuldades socioeconômicas (limitadas a 20% das vagas totais).


Confira também a notícia no site da Prefeitura Municipal de Araraquara e nos portais Sim!News e PasseiAki.



IMPORTANTE: ao contrário do ano passado, neste ano não serão aceitas inscrições em programas separados.

4 de jan de 2014

Produção Literária: acelerando para 2014!

A Produção Literária está em fase de planejamento para o ano de 2014 e virá com algumas novidades.

Assista à entrevista com o Milton Bernardi, Gerente da Casa da Cultura "Luiz Antônio Matinez Corrêa", e o Prof. Assis Furtado!