28 de mar de 2012

Saudades do cachorro e do gato

A seguir, o texto de nossa colega Néia Souza, escrito a partir da proposta de exercício de composição sobre o tema "saudades do cachorro e do gato"

Reparem na pontuação expressiva, da qual nos falou Menalton Braff.


Ah que saudade do gato Perneta e do cachorro Cotó que um dia em seus braços ele trouxera para a tristonha menina de cachos dourados que deixando a solidão de lado vivia a correr pela casa em busca da bola de meia na boca do cão enquanto o Perneta aguardava ansioso o espera-marido da tia Antonieta que distraída atirava as colheres ao lixo para desespero de vó Zuleika que no varal pendurava além da colcha de retalhos coloridos, promessas sob promessas ao santo casamenteiro, alvo perfeito dos intrusos brincalhões que adoravam na colcha, esfregar seus focinhos gelados e quando enxotados corriam para o canteiro de flores para caçar a don’aranha e o grilo falante que protegidos na mão da menina, espiavam um belo rapaz a colher flores para a vizinha dengosa, despertando assim o ciúme, da irmãzinha com cachos dourados que dizia querer, além de gato e cachorro, flores, carinho e atenção, daquele que um dia convocado, para a guerra partiu, além das fronteiras de uma pátria que tal como a menina, calou-se, para ao lado da mãe receber, em forma de notícia, devastadora tristeza que varreu para fora toda a alegria da casa, todos os espera-maridos que recolheu a colcha para longe dos dois focinhos que tinham agora em seus alvos, inúmeras don’aranhas e grilos não tão falantes que saltitavam em um canteiro sufocado por tiriricas a crescerem por toda parte quase alcançando os degraus que levavam a uma casa vazia, sem móveis, sem tia Antonieta, sequer vó Zuleika ou menina tristonha. Apenas um gato e um cachorro que deixados para trás, permaneceram fiéis a uma amizade perfeita nos braços dos recém casados e futuros moradores.





Leia também o texto de Darci Barelli – Saudade é o que fica… –, composto a partir da mesma proposta.

19 de mar de 2012

suacidade.org

Eis o link para a matéria publicada no portal suacidade.org:

http://suacidade.org/araraquara/curso-de-producao-literaria-abre-vagas-na-casa-da-cultura

SIM News 2

Eis os links para as matérias publicadas no jornal SIM News, versão online:


Novo: http://simnews.com.br/exibe.php?id=37443&caderno=Cultura&subcaderno=Araraquara


Anterior: http://www.simnews.com.br/exibe.php?id=36383&caderno=Cultura&subcaderno=Araraquara

Hímpeto Editorial

Eis o link para a notícia do curso de Produção Literária no site do Hímpeto Editorial:


http://www.himpetoeditorial.com/editora-publicar-livro/casa-da-cultura-de-araraquara-abre-inscricoes-para-curso-de-literatura/

Se você estranhou o link quebrado, leia os comentários abaixo!

G1

Eis o link para a notícia do curso de Produção Literária no site do G1:

http://g1.globo.com/sp/araraquara-regiao/noticia/2012/03/casa-da-cultura-de-araraquara-abre-inscricoes-para-curso-de-literatura.html

Prefeitura Municipal de Araraquara

Eis o link para a notícia do curso de Produção Literária no site da Prefeitura Municipal de Araraquara:

http://www.araraquara.sp.gov.br/Noticia/Noticia.aspx?IDNoticia=5668

18 de mar de 2012

Concurso de Contos da ANE - 50 anos

Concurso Literário Nacional ANE 50 Anos - Contos
  • Realização: Associação Nacional de Escritores - ANE
  • Cidade: Brasília - DF
  • Objetivo: selecionar 50 textos para publicação do livro "ANE 50 anos - contos"
  • Prazo de inscrição: até 30 de março de 2012
  • Pré-requisitos: 
    • o autor concorrente NÃO pode ser associado da ANE;
    • o texto deve ser em Língua Portuguesa, obedecendo à Nova Reforma Ortográfica, e precisa estar devidamente revisado quando inscrito
  • Trabalho: conto
  • Tema: livre
  • Formatação: máx. 4 páginas, papel A4, fonte Times New Roman 12
  • Identificação: NENHUMA (!), apenas telefone e/ou e-mail: caso selecionado, o concorrente será contatado pela organização e "convidado" a identificar-se
  • Remessa:
    • via e-mail: ane.df@terra.com.br
    • arquivo gravado em pen-drive, arquivo gravado em CD ou datilografado em papel, pelos correios, endereçados ao:

      Concurso Nacional de Contos da ANE - 50 anos
      SEPS 707/907 Bl. F - Ed. Escritor Almeida Fischer
      70.390-078
      Brasília - DF
  • Prêmios: 
    • "editoração da matéria referida e exemplares do livro";
    • publicação do nome no Jornal da ANE;
    • diploma de participação;
    • medalha comemorativa do cinquentenário da ANE.
  • Comentários da Produção Literária:
    → O regulamento não menciona se o trabalho precisa ser inédito: se você já publicou um texto numa edição de baixa tiragem ou mesmo que você considerou que teve pouco alcance, eis sua chance de de "revitalizá-lo". 

    → O regulamento tampouco especifica se é necessário que o trabalho não tenha sido jamais premiado antes, o que faz com que Autores que já tiveram contos premiados em outros concursos possam concorrer novamente com eles. Por um lado isso é ruim porque trabalhos que já foram premiados e que já provaram seu valor literário noutra(s) oportunidade(s) concorrerão com outros tantos que estão surgindo. De certo modo isso é injusto, porque se um conto que já é conhecido pelo público por ter sido premiado uma ou mais vezes acabar sendo premiado também aqui, vai ficar parecendo que tratou-se de uma grande marmelada literária (não se enganem: marmeladas literárias, infelizmente, são muito comuns!). Por outro lado isso também é bom, porque se um conto seu já foi premiado e conseguir conquistar outro prêmio com da Associação Nacional de Escritores, isso só vai valorizá-lo mais ainda. Como naqueles filmes em que no começo aparece uma lista de prêmios: Gramado, Toronto, Berlim, Cannes, etc.

    → Muito cuidado com o tema livre. A falta de liberdade é uma condição tão desafiadora que às vezes nos obriga a sermos muito mais criativos, literariamente falando, no sentido de nos conduzir à descoberta de uma ou mais alternativas a ela. O contrário acontece justamente com o "tema livre": esta condição é capaz de nos deixar tão sem parâmetros, ou, nas piores hipóteses, tão sem referências, que precisamos ter muito cuidado para não nos perdermos pelo caminho - e isso, é claro, prejudica o nosso texto.

    → Um dos requisitos para a inscrição é que o texto esteja "devidamente revisado". Com isso entendemos que a organização vai publicar os contos premiados exatamente do jeito que os Autores concorrentes os enviarem. O que isso quer dizer? Quer dizer que está implícito que a questão coesão e coerência terá um peso enorme na hora da comissão julgadora avaliar os textos. Eles não vão publicar qualquer coisa, arriscando macular o nome da Associação Nacional de Escritores, não é mesmo? Conclusão: caprichem na revisão!

    → O regulamento não menciona o espaçamento entre linhas, tampouco o tamanho das margens. Portanto se você formatar o texto usando o espaçamento simples e margens padrão de 2cm (superior, inferior, esquerda e direita), vai conseguir escrever cerca de 4.700 toques por página, o que em quatro páginas corresponde a 18.800. Lembrando que "toque" é a contagem das letras, da pontuação e dos espaços de um texto. Já se você optar pelo espaçamento 1½, a contagem de toques vai cair para mais ou menos 3.200 por página, o que leva a 12.800 num conto de quatro páginas. Ainda nessa formatação, se as margens forem reduzidas para 1cm (superior, inferior, esquerda e direita), a contagem de toques aumenta em mais ou menos 700, levando a 15.600 num texto de quatro páginas. Note que fizemos esses cálculos sem considerar o título do texto nem o recuo ou o espaçamento entre parágrafos. Para um texto que deve ser inscrito "devidamente revisado", essas considerações são muito importantes. Aliás, a importância de atentar para esses detalhes está no fato de que às vezes você reduz seu texto para poder caber nas quatro páginas requeridas pelo concurso quando você poderia simplesmente reduzir o espaçamento entre linhas ou as margens, sem contar que os Autores acabam concorrendo em condições desiguais. Já pensou se alguém resolve enviar seu texto com espaçamento duplo, margens esquerda e direita de 3cm e margens superior e inferior 4,5cm? Seu conto terá 1.700 toques/página, concorrendo com outros que, por terem prestado atenção nesses pequenos detalhes, conseguirão até 3.200 toques/ página. É CLARO que o que vale num texto - ao menos para a Produção Literária - é antes seu conteúdo que sua forma: a capacidade que ele tem de causar o impacto no leitor que chamamos de Emoção Estética. Acontece que sabendo um pouquinho mais sobre formatação gráfica, podemos trabalhar melhor esse nosso campo, que é a página em branco, ará-lo com nossas ideias e semeá-lo de palavras. Piegas, não é mesmo? Mas real.

    → O regulamento exige que os concorrentes NÃO se identifiquem, nem mesmo sob pseudônimo. Ao invés disso, o Autor deve informar apenas o número do telefone e/ou seu e-mail. Assim sendo, inscrevam-se informando telefone residencial, celular, comercial e se possível mais uns dois ou três de recado, porque se você for selecionado, a organização do concurso vai precisar te achar. Quem for se inscrever enviando o texto "datilografado", ou mesmo o arquivo salvo em pen-drive ou CD, pelos correios, vai ter esse problema: e se acontecer da remessa não alcançar seu destino? Como que ela vai retornar ao remetente? Imprevistos como esse acontecem, por isso a Produção Literária recomenda que as inscrições sejam feitas por e-mail, que, além de mais fácil e tecnicamente sem custo algum, é o jeito mais seguro de enviar o texto. Quem envia textos "datilografados" a concursos literários? Eu bem que gostaria, se a letra "A" da minha velha Remington ainda funcionasse, porque sou mesmo um tanto nostálgico nesse aspecto. Acontece que hoje em dia temos alternativas tão mais fáceis e mais práticas - e, porque não, mais baratas -, que acabam forçando meu saudosismo atávico a recolher-se satisfeito nos recônditos das boas lembranças. Isso é ótimo, porque as praticidades modernas nos proporcionaram mais tempo para escrevermos e revisarmos nossos textos. Levem isso em consideração antes de romanticamente pousarem aquela velha Remington sobre a mesa e datilografarem seus textos para o concurso de contos da ANE.

    → Dos prêmios oferecidos nesse concurso, creio que de longe o mais interessante seja a medalha, comemorativa do cinquentenário da ANE. Trata-se REALMENTE de um prêmio único e exclusivo, mesmo para quem ficar no 50º lugar. O diploma também é interessante, assim como a publicação do nome no jornal da organização, mas não chegam nem perto do valor que tem a medalha. Não que você vá passear na rua com ela no peito ou coisa assim, mas um pequeno objeto como esse, a longo prazo, adquire um valor imensurável; não tanto em dinheiro, mas um valor afetivo. Quanto à "editoração da matéria referida e exemplares do livro", isso provavelmente quer dizer que os 50 textos selecionados serão publicados numa antologia. Isso também é legal, mas imagino que essa publicação, se obedecer às dimensões-padrão dos livros, que correspondem mais ou menos ao tamanho da folha de papel A5, vai ser uma tremenda "bíblia". Porque isso? Simplesmente porque um texto impresso em uma única folha de papel A4, quando transposto para o papel A5, dependendo do espaçamento entre linhas e do tamanho das margens, pode chegar a ocupar até três folhas de papel. Agora faz de conta que todos os 50 contos selecionados têm quatro páginas de tamanho A4.  Teremos 200 páginas, certo? Ao transpor essas páginas para as dimensões-padrão, 200 viram facilmente 600, não é mesmo? Isso sem considerar folha de rosto, prefácio, sumário, resumo biográfico de cada autor, etc. Considerando tudo isso, não afirmamos que a publicação dos textos sejam um prêmio ruim, mas ainda preferimos a medalha ao livro. Quanto pesa um livrão desses de 600 páginas? Os Autores vão ter que ir a Brasília buscar seus exemplares, porque provavelmente vai ser mais vantajoso para a organização do que enviá-los pelos correios. E os Autores que não puderem viajar para Brasília? Vão ficar sem seus livros? E os livros que não forem entregues, vão ficar no depósito da ANE? E tem mais: o público geral não vai ficar desencorajado de ler uma obra dessa envergadura? Não vão pensar que vai demorar cinquenta anos para conclui-la? São apenas especulações, meus caros - não desanimem porque esse concurso vale a pena. Pela medalha, é claro.

    →  O regulamento nada diz sobre comissão julgadora, resultado ou premiação. Supomos que a comissão julgdora seja composta por membros da ANE; que o resultado saia no final do ano, ou mesmo no ano que vem (vai ser complicado ler, avaliar e selecionar 50 textos dignos de entrarem para a história da organização - isso leva tempo!); e que a premiação será em Brasília.

  • Parecer: vale a pena concorrer pela importância histórica do evento e pela medalha
Associação Nacional de Escritores - Brasília, DF

Leia o regulamento em www.anenet.com.br

15 de mar de 2012

Sarau na praça



A Produção Literária compareceu ao primeiro Sarau na Praça do ano, realizado no pátio da Biblioteca Municipal Mário de Andrade na sexta-feira, 09 de março.

vide http://prodlit.blogspot.com/2012/03/sarau-na-praca-marco-de-2012.html

Na ocasião foram declamados poemas dos alunos Fernando Godoy e Sônia Guzzi, que transcrevemos a seguir:

Vitral
Fernando Godoy


Chuva em tarde de sol
Saboreia o girassol
Cada pingo
Cada raio de sol


Chuva no sol
Sol na chuva
Prismas infinitos
Arcos na íris
Vitral natural


A chuva,
O sol e
O girassol.



O tempo que vive em mim
Sônia Guzzi 
(interpretado por Pâmela Lino)


Além da trilha do tempo, oculto nas dunas da 
vida, ressona o hálito do vento, na areia
branca que busca o céu.
Sutil o tempo passa!
Pranteia o bosque e o morro cai.
Se eu pudesse, esticaria os braços, além da
desordem amassada de dias desbotados
e sementes esquecidas.
Estancaria com meus dedos verdes,
cabelos repletos de seiva, a encosta que
desmaia, arrastando utopias.
Ondularia com enlevo sedutor a dança da
alforria, sem prudência ou temor, e deitaria
meu amor na terra doce e áspera.
Sonharia eternamente, no quintal do céu, que
um dia nós fomos promessa.

Visite o blog da Sônia: http://pimentaalecrimpalavra.blogspot.com/

Também foi lido A máquina do mundo, de Carlos Drummond de Andrade.



Tapete de Silêncio


Na terça-feira, 06 de março, a Produção Literária esteve presente no lançamento de Tapete de Silêncio, novo livro de Menalton Braff, na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp/Araraquara.

Precedendo o lançamento propriamente dito, o Autor discorreu longamente sobre a obra, respondendo a questões levantadas pelo professor José Pedro Antunes.

De grande interesse para a Produção Literária foi a opinião de Menalton Braff sobre a necessidade de haver uma maior preocupação da parte dos poetas com a concisão em seus textos. Segundo Braff, o uso de conjunções, preposições adjuntos adnominais ou mesmo verbos na composição poética atual não seria mais indicado. A razão disso é que após João Cabral de Melo Neto o uso de fatos linguísticos como esses estaria obsoleto.

O Autor, aliás, ergueu veementemente a bandeira da Arte como expressão, não comunicação: o que o poeta e diplomata pernambucano igualmente defendia. Sendo assim, ao compor um texto literário - ou seja, que pretende-se digno do louvor das musas - o escritor deve preocupar-se antes em expressar-se do que comunicar-se. A comunicação por meio da Arte desponta secundariamente: o artista deve primeiramente ocupar-se em exprimir, mesmo porque há quem diga que todas as histórias já foram contadas e cada escritor simplesmente as reconta ao seu modo. É então pela maneira como cada escritor expressa a história que ele vai contar que poderemos medir sua qualidade literária.


O Autor também discorreu sobre suas experiências na construção do narrador de Tapete de Silêncio - o que comentaremos assim que terminarmos a leitura -, e revelou ter sido muito influenciado por Ulysses, de James Joyce, quanto ao uso da pontuação. Quanto a esta, ela pode ser gramatical, como exigem os acordos ortográficos, ou expressiva - e cá encontramos outra vez esse princípio: o solilóquio de Molly Bloom no último episódio de Ulysses, em que acompanhamos o fluxo de consciência da esposa do protagonista por mais de cem páginas sem um único ponto, é, segundo Menalton Braff, um rico exemplo de como o texto pode prescindir de pontuação gráfica para alcançar determinado efeito. Outro exemplo mencionado para a pontuação expressiva foi o uso que José Saramago faz das vírgulas e dos pontos finais em sua obra.


Menalton comentou também o princípio de show, don't tell (ing. "mostre, não diga"), explicando que o leitor desiste logo do texto que "diz" porque descobre facilmente do que ele trata. Por outro lado, um leitor experiente deseja apreciar a linguagem de um escritor mais do que a história, por melhor que ela se apresente, portanto a maneira de cativar alguém assim é "mostrando" ao invés de "dizendo", i.e. fazendo uso da dramatização das ações dos personagens.


Outras técnicas mencionadas por Menalton Braff na composição de seus textos: uso de cenas para melhor organizar a fluência da história, escrita de uma sinopse de cada capítulo (trabalho em que, somente no qual, admitiu o Autor, dedicou-se por dois ou três meses), revisão geral após terminada a escrita, ou seja, o 2º Tratamento (que segundo ele constitui a parte mais trabalhosa da composição), entre outras.


O Autor encerrou a palestra com as seguintes frases: Os fatos reais são caóticos; o escritor organiza esse caos e o articula em seu texto. A função do escritor é essa: trazer ordem ao caos do mundo.


Em seguida autografou seus livros.



11 de mar de 2012

Trama coletiva

Iniciamos as atividades da Produção Literária na última segunda-feira, 05 de março de 2012, quando tivemos a oportunidade de trabalhar nossa primeira trama coletiva. Está aí a fotografia, tirada pelo nosso colega Fernando de seu aparelho celular, que não nos deixa mentir:



Perguntaram: "mas afinal o que é trama?" Consultemos o Aurélio:

Trama. [Do lat. trama.] S. f. 1. O conjunto dos fios passados no sentido transversal do tear, entre os fios da urdidura (2). 2. V. tela (1). 3. Fio grosso, de seda. 4. Fio grosso com que se fazem certos tecidos. 5. Fig. Enredo, intriga, teia. 6. Fig. Conluio, conspiração. 7. Fig. Procedimento ardiloso. 8. Fotograv. V. retícula (2). 9. Bras. Contrato, ajuste. 10. Bras. Troca, barganha. 12. Bras. Ladroeira, roubalheira; velhacaria. 13. Bras., S. Travessa de madeira que se põe entre os vãos dos mourões das cercas de arame, presa aos respectivos fios por um arame flexível.

Não se engane: é a acepção número 5. do dicionário Aurélio que se refere ao que realizamos na atividade da aula inaugural do curso de Produção Literária segunda-feira passada!

Ilustramos por meio de uma atividade em que os colegas apresentavam-se ao grupo lançando um rolo de barbante aleatoriamente uns aos outros. No final, tivemos uma verdadeira rede, à qual chamamos jocosa, porém um tanto quanto orgulhosamente, de nossa primeira trama coletiva.

Chamamos a atenção da turma para o paralelo que existe na Língua Portuguesa entre a atividade do escritor e a do tecelão: o primeiro usa palavras para compor seus textos e o último usa fios - como aqueles da acepção número 1. do dicionário Aurélio citada acima - para produzir seus tecidos.

Aliás, texto e têxtil têm uma origem comum. Consultemos nosso dicionário etimológico:

texto sm. 'as próprias palavras de um autor, livro ou escrito' | XIV, textu XIV | Do lat. textum -i 'entrelaçamento, tecido' 'contextura (de uma obra)' || têxtil adj. 2g. 'que se pode tecer' 'relativo a tecelões ou à tecelagem' 1899. Do lat. textĭlis -e || textual adj. 2g. 'relativo ao texto' XVII. Adapt. do fr. textuel || textura sf. 'ato ou efeito de tecer' 'tecido, trama' 1813. Do lat. textūra. Cp. tecer.

A sugestão é de que comparemos a etimologia da palavra texto à do verbo tecer. Vejamos o verbete:

tecer vb. 'entrelaçar regularmente os fios de' 'fig. enredar, intrigar' | XIV, texer XIII, teixer XIV | Do lat. tĕxĕre || entretecer XVI | teced·eira XIV || tecedor XIII || tecelagem 1797 || tecelão sm. 'aquele que tece' | teçelam XIII || tecido sm. 'conjunto formado pelo entrelaçamento dos fios' XVI || tecimento | -çi- XV | Cp. teia², tela.

Se continuarmos a seguir essa "linha", vamos continuar pesquisando a palavra teia, a palavra tela, e por aí vai. Aliás, tela é a acepção número 2. da palavra trama no dicionário Aurélio supracitado. 

A propósito, de acordo com a mitologia, é seguindo um fio, ou uma linha, que Teseu consegue escapar do labirinto. É o famoso "fio de Ariadne". Não estamos afirmando que as palavras da Língua Portuguesa formam um verdadeiro labirinto: estamos apenas sugerindo um caminho para, caso alguém porventura caia dentro dele, consiga derrotar o Minotauro e escapar com vida. 

Para ter uma ideia sobre esse mito, visite http://pt.wikipedia.org/wiki/Teseu

Voltando ao assunto, vimos que trama tem a ver com tecido e que tecer tem a ver com enredo, que por sua vez também tem a ver com trama. Está tudo interligado: a ideia é justamente aproximar a atividade de produzir textos à arte de juntar fios avulsos para se formar um tecido que, metaforicamente, representa a história que o Autor está escrevendo: o enredo. E enredo nada mais é do que o "esqueleto" da narrativa: aquilo que lhe dá sustentação. Nada melhor do que isso para se tratar na aula inaugural da Produção Literária.

Não confunda trama com drama!
Mas isso fica pra próxima...


Dicionários consultados:
  • Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira (e uma trupe de assistentes que nunca são lembrados), popularmente conhecido como "Grande Aurélio", lançado pela editora Nova Fronteira em 1975. Exemplar gentilmente oferecido à Produção Literária pela Biblioteca Municipal Mário de Andrade (Araraquara - SP), pelo que sua  diretora Célia Regina Longobardo merece nossa imensa gratidão. Obs.: por mais que isso possa parecer, não é porque há um novo acordo ortográfico que as palavras perderam o sentido!
  • Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de Antônio Geraldo da Cunha (e uma trupe de assistentes que nunca são lembrados), ainda não tão popular a ponto de merecer um apelido carinhoso, reimpresso pela editora Lexikon em 2007.


8 de mar de 2012

Sarau na Praça - março de 2012

Acontece nesta próxima sexta-feira, 09 de março, a primeira edição do Sarau Lítero-Musical do ano de 2012, no pátio da Biblioteca Municipal Mário de Andrade. O evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara e Fundart e a entrada é gratuita.

A cantora Shirley Castro apresentará seu repertório de Música Popular Brasileira, acompanhada de Pedrão, o violonista. Também marcará presença no evento o grupo da terceira idade das Oficinas Culturais Municipais, com uma apresentação de dança coreografada por Adriana Cruz e Henrique Sanioto.

Mas não só de música e de dança são feitos os saraus - também consta no programa a leitura de poesias, em especial às de Luís Fernando Ferreira, em exposição no famoso "varal do sarau".

Haverá troca e venda de livros e barraquinhas de comes e bebes para completar o evento.

Visite a notícia oficial, na qual este post foi inspirado: http://araraquara.sp.gov.br/Noticia/Noticia.aspx?IDNoticia=5610

Entrevista na TV Ara

Entrevista à TV Ara divulgando o Curso de Produção Literária veiculada em 01 de março de 2012:

Cartaz de divulgação do Curso de Produção Literária 2012:


A Produção Literária

A Produção Literária é um curso oferecido pelo Núcleo de Formação da Casa da Cultura "Luiz Antônio Martinez Corrêa", da Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara - SP, voltado para quem deseja aprender as técnicas e os métodos de composição de textos literários, como contos, crônicas e poemas. Pelo segundo ano consecutivo, o curso pretende introduzir métodos de criação textual e técnicas utilizadas pelos grandes escritores da atualidade.

Em 2011, a classe pioneira da Produção Literária teve a oportunidade de visitar a 9ª Festa Literária Internacional de Paraty e o III Congresso Brasileiro de Escritores. Foram também realizadas leituras dos trabalhos no "Sarau na praça", evento realizado mensalmente pela Biblioteca Municipal Mário de Andrade, e exposições na Casa da Cultura.

As aulas são ministradas às segundas e quartas-feiras no período noturno, tendo sido iniciadas no dia 5 de março de 2012, com previsão de encerramento dos trabalhos ao final do mês de novembro. Estão programadas diversas atividades para este ano, como a visita à 12ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, a 10ª Festa Literária Internacional de Paraty e a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, entre outros. Todas as atividades serão postadas e comentadas neste blog, assim como textos produzidos pelos alunos e outras matérias de interesse.

Sejam bem-vindos!