15 de mar de 2012

Tapete de Silêncio


Na terça-feira, 06 de março, a Produção Literária esteve presente no lançamento de Tapete de Silêncio, novo livro de Menalton Braff, na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp/Araraquara.

Precedendo o lançamento propriamente dito, o Autor discorreu longamente sobre a obra, respondendo a questões levantadas pelo professor José Pedro Antunes.

De grande interesse para a Produção Literária foi a opinião de Menalton Braff sobre a necessidade de haver uma maior preocupação da parte dos poetas com a concisão em seus textos. Segundo Braff, o uso de conjunções, preposições adjuntos adnominais ou mesmo verbos na composição poética atual não seria mais indicado. A razão disso é que após João Cabral de Melo Neto o uso de fatos linguísticos como esses estaria obsoleto.

O Autor, aliás, ergueu veementemente a bandeira da Arte como expressão, não comunicação: o que o poeta e diplomata pernambucano igualmente defendia. Sendo assim, ao compor um texto literário - ou seja, que pretende-se digno do louvor das musas - o escritor deve preocupar-se antes em expressar-se do que comunicar-se. A comunicação por meio da Arte desponta secundariamente: o artista deve primeiramente ocupar-se em exprimir, mesmo porque há quem diga que todas as histórias já foram contadas e cada escritor simplesmente as reconta ao seu modo. É então pela maneira como cada escritor expressa a história que ele vai contar que poderemos medir sua qualidade literária.


O Autor também discorreu sobre suas experiências na construção do narrador de Tapete de Silêncio - o que comentaremos assim que terminarmos a leitura -, e revelou ter sido muito influenciado por Ulysses, de James Joyce, quanto ao uso da pontuação. Quanto a esta, ela pode ser gramatical, como exigem os acordos ortográficos, ou expressiva - e cá encontramos outra vez esse princípio: o solilóquio de Molly Bloom no último episódio de Ulysses, em que acompanhamos o fluxo de consciência da esposa do protagonista por mais de cem páginas sem um único ponto, é, segundo Menalton Braff, um rico exemplo de como o texto pode prescindir de pontuação gráfica para alcançar determinado efeito. Outro exemplo mencionado para a pontuação expressiva foi o uso que José Saramago faz das vírgulas e dos pontos finais em sua obra.


Menalton comentou também o princípio de show, don't tell (ing. "mostre, não diga"), explicando que o leitor desiste logo do texto que "diz" porque descobre facilmente do que ele trata. Por outro lado, um leitor experiente deseja apreciar a linguagem de um escritor mais do que a história, por melhor que ela se apresente, portanto a maneira de cativar alguém assim é "mostrando" ao invés de "dizendo", i.e. fazendo uso da dramatização das ações dos personagens.


Outras técnicas mencionadas por Menalton Braff na composição de seus textos: uso de cenas para melhor organizar a fluência da história, escrita de uma sinopse de cada capítulo (trabalho em que, somente no qual, admitiu o Autor, dedicou-se por dois ou três meses), revisão geral após terminada a escrita, ou seja, o 2º Tratamento (que segundo ele constitui a parte mais trabalhosa da composição), entre outras.


O Autor encerrou a palestra com as seguintes frases: Os fatos reais são caóticos; o escritor organiza esse caos e o articula em seu texto. A função do escritor é essa: trazer ordem ao caos do mundo.


Em seguida autografou seus livros.



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